:: o oceano falou comigo e nunca mais fui o mesmo ::

Este espaço foi criado com o intuito de mostrar tudo aquilo que se passa na cabeça de um surfista. Desde pensamentos, frases, sentimentos e tudo aquilo que tá presente na vida de cada um de nós. A busca incessante do equilíbrio.
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:: Sábado, Outubro 02, 2004 ::


"Pinta os lábios para escrever, a tua boca em mim..."

:: 6:00 AM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
:: Terça-feira, Setembro 28, 2004 ::

A conquista


Tudo é pleno e de vastidão transvestido


A claridade risca de sol cada sorriso, cada olhar. O entusiasmo enche de alegria o coração. A confirmação da conquista nos atravessa de vida. O pensamento adquire a sua velocidade máxima e em seu rastro o cheiro doce da realização.

A receptividade, a abertura formam laços de ventos, amarrados pelo orvalho mais fino das madrugadas. O tempo faz sua curva mais longa e os motivos usuais de existir como que fogem, perdidos de nós. Tudo o que anteriormente justificava nossos movimentos torna-se fraco e não resiste ao simples estremecer das horas a escorrer no espaço de tempo que se forma ao nosso redor.

Não há idade, não há regras. A noite se levanta da tarde morna, majestosa e solene, e se derrama por sobre quantos se amam. Depois vem o frio na barriga, a angústia da ansiedade. Estar junto é tudo que se deseja e a presença querida nos transporta ao que a vida tem de mais repleto e palpitante. Longe somos rasa solidão que se alastra. Perto nos sentimos engolfados, a respiração se rompe e atordoa. De esplendores feridos, nos tornamos implausíveis e tudo em nós como que se escraviza ao sentimento que brota do âmago de nosso ser.

Pensamos no que há de melhor, planejamos nossos melhores momentos e vivemos um estranho transcender. Transgredimos regras, mesmo aquelas que nos impomos, vencemos a fraude, a incompetência em ser quem até então, sentíamos. Tudo torna-se mais real e substancial. A vida cresce sob nossos olhos. E as horas engolem dias, semanas, meses. Tudo é pleno e de vastidão transvestido.

Somos invadidos da mais absoluta satisfação de existir. Tudo adquire um novo brilho. Em nosso coração não resta um único canto que não esteja inteiramente inundado da mais profunda ternura e da mais comovente doçura. Amamos transportados pelo sonho de felicidade que nos embala desde a mais tenra idade. Tudo torna-se largo, como nossos olhos sempre úmidos de uma piedade desconhecida. Piedade por aqueles que não amam como nós, que não sentem o que sentimos.

Tudo para trás se torna compreensível ao nosso olhar agora compassivo, como a convicção de que o presente se constrói a partir do que estamos sentindo. A certeza de que somos correspondidos nos torna aprendizes da esperança, essa professora tão amável. O rosto do ser querido não sai de nossos olhos interiores. A vontade é de chorar de tamanha alegria e felicidade. As mágoas anteriores, esse poço de lágrimas que nem cabe ser chorado, como que por encanto, seca e desaparece. Estamos salvos, varridos e lavados pela emoção de sermos, mais uma vez, queridos, necessários, ou até escolhidos.

Como é maravilhoso ser escolhido! Um cristal fino que não se quebra, uma água redonda e ares cheios de asas. Estar único para alguém provoca em nós uma alegria infantil, pura, de ingênua constituição. Abre em nossos corações o anseio profundo de corresponder inteiramente. De saquearmos os tesouros do tempo para presentear o ser amado.

E mergulhamos no exame das possibilidades. Vagamos sonhos adentro em busca de realidades, agora viáveis, nos reerguendo de nossas misérias interiores. Recomeçamos nossos passos plenos dessa ternura que vasa pelos olhos, preenchendo todos os vazios de que nos dotamos no decorrer da vida. E abençoados pela vida, seguimos riscando de claridade todos os gestos.


Por Luiz Mendes

:: 9:50 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
Que me perdoem biólogos e ambientalistas.

Mas ô sabiá bem chato esse que fica no pé da minha janela e que não me deixa dormir!!!

Sinceramente ele merece um texto........


O sabiá, naturalmente



Além dos símbolos nacionais, como a bandeira e o hino, uma boa parte dos países tem também uma ave com a qual se identificam. Por exemplo, na Áustria é a andorinha. Na Suécia, o tordo. Nos Estados Unidos, a águia de cabeça branca e na Dinamarca, a cotovia.

E o Brasil, país que tem uma biodiversidade riquíssima, ironicamente ainda não tinha uma ave-símbolo até o ano passado, falha essa corrigida a partir de um decreto do governo federal, que reconheceu o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) como ave nacional brasileira.

Para que chegasse a esse reconhecimento, uma longa trajetória foi percorrida. Tudo começou em 1965, quando o pássaro foi designado pelo governo paulista como símbolo do Estado de São Paulo. Em 1968 o governo federal instituiu o dia 5 de outubro como dia da ave. Em 1987, por sugestão de Johan Dalgas Frisch, um engenheiro paulistano apaixonado por aves, reconhecido mundialmente pela façanha de ter sido o primeiro a gravar o canto do uirapuru, foi indicado o sabiá como ave nacional. Ele não teve na ocasião seu reconhecimento oficial pelo fato de não ter sido citado seu nome científico no decreto federal.

Somente em 2002 foi corrigida essa falha e, em 5 de outubro de 2003, pela primeira vez comemorou-se o dia da ave e também o sabiá como símbolo da fauna ornitológica brasileira e ave nacional do Brasil.

Escolha concorrida

Por que o sabiá? Por que não o uirapuru, de canto magnífico, o tucano, pela sua associação com os trópicos, ou a ararajuba, que tem as cores da bandeira brasileira? Por que não uma das quase 2 mil espécies que participaram da escolha? Esclarece Dalgas Frisch: "A ave foi escolhida por ser encontrada tanto no campo quanto na cidade, estando próxima do homem; são muitas as citações dela em poemas e músicas, por exemplo, em Gonçalves Dias no conhecido verso 'Minha terra tem palmeiras/Onde canta o sabiá'; seu canto é maravilhoso e individual, não existindo duas aves com cantos iguais. E tivemos o apoio de personalidades como o escritor Jorge Amado [1912-2001], quando me enviou um telegrama que textualmente diz 'desejo manifestar meu integral apoio à campanha para que o sabiá seja definitivamente consagrado como ave oficial do Brasil durante as comemorações do próximo dia da ave' ".

Portanto, a escolha do sabiá pode não ter alterado o dia-a-dia do brasileiro. Mas um pássaro típico e extremamente popular merece que se atenda a um pedido de Frisch: o de se plantar em quintais e jardins pelo menos uma pequena muda de amoreira, pitangueira ou jabuticabeira, que certamente atrairão um casal de sabiás e outras aves como o bem-te-vi e a saíra, que embora não sejam o símbolo do país, fazem parte da grande riqueza natural brasileira.


Clica na foto lá em cima e escuta a cantoria da criatura...


:: 8:02 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________
Uma vez foi comentado nesse espaço de que, hoje em dia, o profundo era superficial. A verdade é que não se deve deixar de pensar. Quem pensa o mais profundo ama o mais vivo. E o mais vivo é o sustento, o mais rico alimento.

Se todos fazem algo, isso se torna justificativa para que, sem culpa, faça eu o mesmo; o que mecaniza a sociedade atual, carente do exercício da vontade de poder pessoal.

Ser quem você é e amar isso, ter presença autêntica no mundo, estar sempre consciente e consistente por dentro e por fora, manter o equilíbrio entre razão e emoção: esses são os principais desafios existenciais do homem moderno. O homem deve ter para a execução desse desafios duas coisas: primeiro o conhecimento de suas existências e exigências, e, segundo, para suas execuções, a força de vontade. A força de vontade deve estar engajada na luta mental contra a mediocridade de suas ações e pensamentos, pela resistência à preguiça física e social. Pode-se tirar da força de vontade a prática autêntica e seus efeitos certeza pessoal, amor próprio e ao próximo. Na luta contra a alienação se prega a conscientização, e na luta contra a mediocridade o exercício da vontade de poder pessoal. As exigências que se fazem aos interessados em uma vida dessa maneira realizada são a honestidade consigo mesmo e com os outros, abertura seletiva e consciente assim como aplicação. Sem autenticidade, pessoalidade, princípios básicos próprios válidos universalmente pra essa pessoa, o homem não é homem, é um simples executor mecânico de hábitos adquiridos através do convívio inconsciente em sociedade. O homem se deixa corromper.

O conceito de verdade é pessoal, como tudo o mais. Mas se, nessa pessoalidade, você acredita em uma verdade, deve buscar com afinco a universalização dessa, através da adesão de outros a mesma. Deve se ter princípios, uma verdade pessoal, aberta a questionamentos sempre na busca de seu aperfeiçoamento, mas orientadora absoluta de suas ações no momento, para que a vida não perca sentido com a relativização de tudo.


Texto adaptado.


:: 8:01 PM ::

escreve algumas linhas aê: _____________________________________________________________________________________

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